CONCLUSÃO DAS ATIVIDADES, CONTINUAÇÃO DAS LUTAS
MST termina as atividades do “Abril Vermelho” com algumas vitórias, mas ainda precisa de mais paciência e luta para as próximas conquistas
Por Dafne Spolti
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Organização e firmeza na luta – Fotografia de Keka Werneck
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O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) fez esse mês várias atividades do “Abril Vermelho”, marcado pelo massacre de Eldorado dos Carajás, em que 19 militantes foram assassinados. O Mato Grosso e outros estados fizeram marchas e manifestações públicas. Além disso também foi lançado nesse abril a campanha “Limite da Propriedade da Terra: em defesa da reforma agrária e da soberania territorial e alimentar”. Dentre as principais atividades do MST-MT está a marcha de Jangada a Cuiabá, que contou com a participaçã, que contou com a participaç do MST estuero cole a penarcha, mas acredita que vale so conto de aproximadamente 450 Sem-Terras.
Já no dia 14, 300 famílias estavam em Jangada. Prepararam-se com vídeos e palestras e dia 16 partiram rumo a Cuiabá. A caminhada foi de aproxiamadamente 83 Km. A marcha do MST, que segue sempre com passo contínuo, veloz e firme, tinha como tema: “reforma agrária, emprego e defesa do meio ambiente”. Na chegada em Cuiabá, muitos estavam com calos nos pés. Mas todos acreditam que a luta é importante, que não é em vão.
Elzira Maria da Silva, 45, casada, está no MST há 12 anos. Foi criada na roça, mas com 13 anos veio para a cidade, onde trabalhava de doméstica. Mas ela acredita que é melhor morar no campo. “Por causa das minhas crianças. Tenho muito medo das minhas crianças entrar no vício da droga, né?”, explica. Ela estava com faixas nos pés por causa dos calos e bolhas que formaram durante a marcha, cujo percurso fez de chinelo. Apesar dos machucados ela acredita que a luta é válida: “Ah, vale a pena, sim, a gente lutar pelos direitos nossos. Cansar a gente cansa um pouco, mas vale a pena”.
Ao lado dos mais idosos, caminham as crianças e os mais jovens. Tiago é um desses meninos. Ele tem apenas 9 anos, faz a quarta série, mas sabe bem porque é importante a luta do MST. E para ele com cidades tão violentas a vida na roça é melhor: “Acho melhor morar na roça porque na roça você pode andar pra tudo quanto é lado que você não vai se perder. Na cidade não. É perigoso você se perder ou alguém te roubar, te matar.
Com um discurso bastante maduro, José Bruno Fonseca dos Santos, 16, fala um pouco sobre a produção com fertilizantes naturais ou artificiais: “Esses grandes produtores que grilam terra por aí só mexem com veneno, com agtóxico. É melhor uma coisa natural, né?” Ele também já morou no campo e na cidade, mas prefere o campo, por ser um lugar mais seguro. Segundo José Bruno, “lá [no campo] a gente fica livre, sem bandidagem. Aqui é perigoso levar uma bala perdida. Melhor é mexer com os boi, mexer com as vaca, né? Tirar o leite”… Ele pensa em ter sua terra um dia. “Pra plantar… tirar o sustento…”
A marcha do MST terminou dia 22, com um ato na praça alencastro, mas as atividades ainda continuaram até o encontro com o Incra-MT. No ato da praça alencastro diversas entidades defenderam as ações do movimento, a luta pela reforma agrária, o emprego (com enfoque para os desempregos causados com a crise mundial), e o meio ambiente. Robinson Ciréia, do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) ressaltou que as lutas entre as pessoas do campo e da cidade não são separadas, mas sim, que devem caminhar juntas. “O povo da cidade sofre também com o aumento da água aqui em Cuiabá, o aumento do transporte, que está vindo aí, com o aumento do IPTU… O prefeito ta pensando em aumentar a passagem pra R$ 2,40! (…) A união dos trabalhadores do campo com os da cidade é o caminho pra derrubar a burguesia”.
No dia 23, os militantes foram até a Assembléia Legislativa em ato público de defesa ao meio ambiente. Durante o ato, João Pedro Stédile, da diretoria nacional do MST fez um pedido aos parlamentares que cobrassem do Incra suas obrigações. Citou, por exemplo o curso de Agronomia de Cáceres, da UNEMAT, que começou a funcionar graças às articulações do MST, mas que há um ano está parada pela falta de repasse das verbas do Incra. “Os nossos estudantes querem estudar e não podem estudar porque faz um ano que o Incra não libera dinheiro pra universidade. É uma vergonha! Então apelo pra vergonha de vocês… vocês têm poder pra isso! Nós não podemos admitir que o curso de agronomia de Cáceres continue parado!”. Ainda no dia 23, Stédile deu um seminário organizado pela Associação dos Docentes da UFMT (Adufmat) contextualizando a crise financeira internacional e algumas atividades do MST.
Finalizando as atividades do “Abril Vermelho” o MST fez uma assembléia com o Incra-MT, onde estavam acampados desde a chegada a Cuiabá no dia 22, para saber quais eram as respostas às reivindicações de março, encaminhadas através do ofício n.° 012/MST/2009. Algumas respostas foram positivas ao MST, outras ainda serão resolvidas após mais análises do Incra. Os principais encaminhamentos são o assentamento de 3 mil famílias até o final do ano; repasse de 11 milhões para infra-estrutura nos assentamentos e de assessoria técnica.